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Dobermanns Parasitados & Ameríndios Borbulhantes


 - Tico- tico, reco- reco, meu jaleco é repeteco? – pergunta-me um platelminto abrutalhado que trabalha enfaixando pães de mel no almoxarifado do açougue ao lado.

- Não te digo se é, pois é quase certo o respaldo do tablado do teclado que te vendi – respondo ao animal.

E assim seguiu nosso esclarecedor diálogo.

- Sabe esses cabides dependurados nas asas das mixiricas? Aprecio-os além da conta. Sou como seu vizinho e, além de tudo - não há como haver progresso guardando tal segredo -, minha alma vibra quando  lambo trilhos de ferrovias.

- Deve ser prazeroso, Capitão. Mas agora me convide para sair deste buraco inundado de dentes de leite e de engenheiros de software.

- Isso não me cabe. Vá falar com o financeiro. Ramal 307.

- Epa! Apenas aguarde e espere uns segundos aqui enquanto não penso em nada.

- Ok, enquanto isso, solfejarei minha música predileta, talvez o ajude...

- Pronto! Grato pelo doce solfejar. Estou bem satisfeito com meu passado recente e para poder sorrir completamente, basta-me saber se é verdade o que falam por aí, capitão...

- Vá lá, moleque, manda ver, molecão. Você é um molecão, não é? Percebi pelo jeito como comeu seus dedos agora pouco. Pergunte!

- Capitão, é verdade que eu estou falando com você agora, nesse instante agora aqui?

- Não se pode saber. Eu sou um platelminto abrutalhado, apenas isso, molecão. Tu és um molecão? É sim.  Veja esse desenho feito de meu avô na página 42 desse livro de biologia. Aprecie as cores enquanto solfejo minha canção infantil predileta.

- Belas cores, belíssimo solfejo. E não posso furtar-me de dizer: grande parasita, seu nobre avô! Parasitou como poucos. Tem falado com ele?

- Pelo Skype, parece que seu último parasitado resolveu ir para a Itália.

- Típico de dobermanns parasitados. Pode acontecer com qualquer um. Uma pena. De fato, uma pena!Mas saiba: aqui neste açougue, ameríndios borbulham das britadeiras e assim não dá. Borbulham e não param de borbulhar, e se transformam em um fluído borbulhante, com bolhas aqui e acolá.

- Disso eu sei, seu grande trouxa. Seu trouxão bobalhão. E pare com isso, não tenho nada de molecão em meu desajeitado modo de ser. Sou apenas um cão mole e venho latindo meu latir preguiçoso desde que medimos o tamanho de nossos caninos e nenhum de nós ganhou, porque eu sou um cão desdentado e você um platelminto trouxão e bobalhão.

- Que porra de história é essa?

- A história de nossas vidas. Vidas com gelo e limão e me traz o saleiro, por favor.

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O Pardal Imoral

O Pardal é pardal vivido, sofrido, calejado, e "impenetrável", como ele mesmo afirma. Pardal já era pardal quando boa parcela dos meninões ainda queria ser jogador de futebol, mas brincava de Barbie escondida no banheiro. O Pardal já hipnotizou peixes-bois com "sucesso parcial", como ele mesmo gosta de salientar; já comeu o próprio RG ante a mais das irremediáveis fomes; já fracassou hérculeamente ao tentar amamentar uma anão para angariar fundos para um excursão à Cabreúva e gosta de adjetivos feminos.

Por Guilherme Abati.






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