De acordo com o
China Daily, em 2008, um chinês caiu em uma banheira de hidromassagem cheia de
enguias enquanto se preparava para uma sessão de esfoliação em um spa de
Beijing e teve de ser levado ao hospital às pressas. Não resistindo aos
ferimentos internos, foi a óbito às 21h32min do dia 29 de fevereiro.
Esse chinês, cujo
nome era Zhang Nan, era um homem simples que beirava os 40 anos de idade à época
da tragédia. Era original da litorânea Weihai, extremo leste da província de
Hubei, mas era, entretanto e sobretudo, um homem só e completamente apaixonado
pela vida marinha.
Passava as
manhãs e as tardes de seus dias com os pés a brincar pela superfície do excelso
Mar Amarelo, enquanto aprumava a esguia vara com que buscava pescar enguias.
Chegava a levar para casa duas dúzias dos naturalmente gelatinosos animais
todos os dias, e deles se alimentava muito bem. Com o restante lucrava um
mínimo sustento, vendendo-o depois de transformá-lo em uma boa quantidade da
principal iguaria da localidade: gelatina de enguia.
Os animais
marinhos, tão sórdidos como as línguas peludas das lhamas de Cuzco, muito antes
de Zhang Nan avistá-los pela primeira vez pelas profundezas do mar, já eram
iguarias tradicionais e muito apreciadas entre os ingleses, que as nomearam de jellied eel e se alimentaram delas
repetidas vezes durante os difíceis tempos dos bombardeios alemães. As enguias
eram pescadas do próprio Tamisa, e depois disso, eram acrescidas de purê de
batata e empadões de carne antes de devoradas pela trépida fome.
Mas, ao
contrário dos ingleses, Zhang Nan fatiava as enguias pescadas e as cozia em
caldo de peixe, feito de suco de limão, noz moscada e temperos básicos. Depois
era só colocar o produto final em pequenos potes de plástico descartável e
vendê-lo.
Seu processo
era conhecido pela patuléia de Weihai, apesar de inimitável. O que não era de
conhecimento, apesar de alguns suspeitarem, era que das 12 enguias pescadas, em
média, por dia, Zhang Nan guardava sigilosamente uma, à qual só daria atenção
quando a cidade aquietava-se e, já de pijamas, espreitava os braços de Orfeu a cingir seus muros.
Então, em seu
quarto, Zhang se despia e depois de deitar a enguia cuidadosamente sobre os
lençóis, mantinha relações sexuais com o animal morto até a primeira incidência
dos oblíquos raios solares do dia posterior.
Pelo fim da noite
de 28 de fevereiro de 2008, em Weihai, à porta de seu mefítico tugúrio, uma
senhora - já com o fígado a boiar sobre a superfície de uma pequena lagoa de
rum, amoras e enguias fatiadas - observava as adejantes estrelas a brilhar sob
o manto negro do universo quando passou a notar a incômoda presença de um carro
estacionado em frente à entrada da reservada e parcamente visitada morada de
Zhang Nan.
Para ela,
incômodo muitíssimo maior foi ver seis homens carregando Zhang nu e o
arremessando violentamente por sobre os bancos traseiros e não poder esboçar
reação solidária alguma - quando pôde dar seu primeiro desequilibrado passo em
direção ao veículo, a senhora já o via a metros distante, levantando uma
comichosa poeira que a fez espirrar, tossir, e que foi a provável razão que a
levou a vomitar copiosamente parte do tóxico conteúdo que carregava em suas
entranhas sobre o deitado e igualmente alcoolizado Zhang Nam, um coreano que,
com extrema competência e sucesso, se passava por chinês havia 34 anos.
No dia
seguinte, já em Beijing, o cativo pescador de enguias de Shandong foi arrastado pelas orelhas até o spa “The Peninsula” e, manietado, à beira de uma banheira de hidromassagem cujo
interior era repleto, vejam só, de inúmeras e agitadas enguias, viu-se diante
de Zhang Mam, o Ministro da Pesca chinês.
Mam sorriu em
tom zombeteiro e agradeceu o pescador por sacrificar-se heroicamente pelo
crescimento econômico do país e por oferecer a vida para alavancar os
descendentes números da exportação nacional no setor. E então, com clara
repulsa, o empurrou para dentro do conteúdo enfurecidamente faminto, o qual
penetrou diversas e repetidas vezes por todos os orifícios possíveis do
pescador antes de se dar por vingado e saciado.
Já no mês de
março daquele mesmo ano, a China obteve aumento considerável em sua balança
comercial, alcançando US$ 256 milhões de faturamento e registrando um aumento
superior a 40% em suas exportações de enguias se comparado ao mês anterior, o
último mês de Zhang Nan.
Há pelo menos
duas décadas corre o persistente rumor que o país asiático, diante de épocas de
dificuldades econômicas do setor
pesqueiro, tem por hábito oferecer carne humana às enguias como forma de
estimular a captura desses animais e o conseqüente crescimento do número de
toneladas exportadas.
O aumento das
exportações, segundo os principais periódicos do país, de fato, se deve
principalmente à expansão da indústria de pesca, à melhora tecnológica contra
desastres naturais e ao aumento da demanda no mercado internacional, incluindo
o Japão e Europa.
Já para os periódicos marginais e para algumas organizações
sociais, o aumento deve-se unicamente ao sacrifício, em épocas de crise, de
seres humanos odiados por enguias.
