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Caríssimo Senhor Gorraba

Caríssimo Senhor Gorraba, 

envio-lhe esta carta pois sei que o senhor já atravessou situação semelhante.

Hoje acordei com uma forte dor na região escrotal. Talvez eu tenha dormido com a perna sobre ela. Talvez tenha exprimido-a com a parte interna de minhas coxas durante um terrível pesadelo. Ou, quem sabe?, um agressor vingativo tenha socado-a durante meu pesado sono e eu nada reparei. Não sei ao certo. O que é certo é que segui todas as indicações médicas. Tomei litros de água quente sentado sobre um cupinzeiro. Participei de duas sessões da polêmica técnica terapêutica chamada de Transfusão Fecal.  Por fim, orei aos céus. Nada disso funcionou. Encaminhei-me com a alma vazia de esperança até a catedral na rua Guillaume. Lá perguntei ao sacerdote se aquela dor escrotal irrefreável poderia ser uma espécie de castigo divino. Ele disse que não poderia opinar até manusear a região enferma com as mãos. Rapidamente, no alto de sua graça, o sacerdote revelou-me que saliva humana era a única cura para tal moléstia. Não me contive de felicidade. Planejava chegar a minha residência e, através de um método ainda não determinado, aplicar minha própria saliva no local. Mas não era essa a solução, disse-me o homem de Deus. O sacerdote me confidenciou que apenas saliva de terceiros surtem efeitos em casos assim e que devem ser aplicados com a língua. Ele me olhou. Levantou as hirsutas sobrancelhas. E então eu entendi tudo.

Foi assim também como aconteceu contigo, Caríssimo Senhor Gorraba?

Ass: Malaquias Passarôlho

Um comentário:

O Pardal Imoral

O Pardal é pardal vivido, sofrido, calejado, e "impenetrável", como ele mesmo afirma. Pardal já era pardal quando boa parcela dos meninões ainda queria ser jogador de futebol, mas brincava de Barbie escondida no banheiro. O Pardal já hipnotizou peixes-bois com "sucesso parcial", como ele mesmo gosta de salientar; já comeu o próprio RG ante a mais das irremediáveis fomes; já fracassou hérculeamente ao tentar amamentar uma anão para angariar fundos para um excursão à Cabreúva e gosta de adjetivos feminos.

Por Guilherme Abati.






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