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Tá bom, garota?

Não há esperança nessas relações. Você sabe. Eu esperava uma companheira perfeita, mote de alegrias e descanso, corpo caridoso, aquecedor da minha alma por todas as noites. E você, ainda tão nova, merecia alguém que a levasse para conhecer o mundo, que compartilhasse a sabedoria adquirida ao longo das décadas vividas a mais que você, e que a provisse com um lar e bases para que pudesse amadurecer.

Mas você mostrou-se descontrolada, reagindo desvairadamente, perturbando a paz e intimidade dos vizinhos e destruindo os móveis durante minhas ausências. E eu, decepcionado com o que encontrei, não tive forças para encontrar uma saída para nós.

Ao menos agora isso não nos atormentará. Já era hora de pôr um fim. Você ficará muito bem. Com alguém que a admira e tem total disposição para dar tudo o que você quer e merece.

Você vai ficar na casa da minha mãe, tá? Eu já levei sua caminha, aquele osso grandão que você adora; suas roupinhas de frio e a bolinha.

Lá você não ficará sozinha e será tratada como rainha, tá bom garota?

Todo o domingo eu vou lá e prometo que levo um monte de biscoitinho pra você.

Um comentário:

  1. Parabéns, obesidade!
    Seu talento já começa a ser reconhecido pela web.
    Te amo!
    BJO

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O Pardal Imoral

O Pardal é pardal vivido, sofrido, calejado, e "impenetrável", como ele mesmo afirma. Pardal já era pardal quando boa parcela dos meninões ainda queria ser jogador de futebol, mas brincava de Barbie escondida no banheiro. O Pardal já hipnotizou peixes-bois com "sucesso parcial", como ele mesmo gosta de salientar; já comeu o próprio RG ante a mais das irremediáveis fomes; já fracassou hérculeamente ao tentar amamentar uma anão para angariar fundos para um excursão à Cabreúva e gosta de adjetivos feminos.

Por Guilherme Abati.






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