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Reflexões a partir da janela de meu OVNI

Sabeis-vós da existência de nosotros há muito tempo.
Auscultem a própria alma, profundamente, desguardando os segredos enfurnados na mais íntima das gavetas, questionando repetidas vezes num único segundo a dúvida primordial antes respondida sem segurança, e não há maneira de não surgir livre de qualquer incomodo a sensação de que vós sempre soubestes de que estávamos por aí.

E estamos por aí em um ótimo número, bilhões e bilhões de planetinhas assim, iguais este que observo há milênios; mas não há contentamento algum quando rememoro esses fatos, isto é, entre tantas e tantas manifestações biológicas extra terráqueas, fui eu escolhido para estacionar minha carroça intergaláctica quentinha e quietinha em vossa estratosfera e tratar de permanecer a observar, sem espaço para um piscar, cada centímetro desimportante de vossos passos desengonçados e sem propósito.

Estou brincando. Saibam que aprecio o senso de humor dos donos do planeta, os cães, mas o de vós, homo sapiens, apesar de mui inferior, é, por vezes, também bastante gracioso, de modo que dar-me-ei a liberdade de ser engraçadinho assim que quiser, e se reclamarem, lanço-lhes um tirambaço de raio dissolvedor de humanos prontamente, sem dó ou chance para remorso.

Viram? Mais uma de minhas inúmeras anedotas que ainda aguardam por vir. Não existe tal raio dissolvedor coisa nenhuma, e se, por ventura, o dito existisse e calhasse de possuí-lo cá, em minhas mãos, jamais usaria-o contra vós, já que isto resultaria na perda da minha prezada labuta e de minhas observações curiosíssimas; enfim, tenho em mim uma inviolável alegria por acompanhá-los em tais passos sem jeito, mas é hora de compartilhar as anotações que livremente fiz ao longo desses arrastados milênios de análise.

Pois então, semanalmente, escreverei aqui impressão instigante que me arrebatou em algum momento, poderá (i.e, a impressão arrebatadora) ter ocorrido durante o cerco mouro a Granada, ou um sonho erótico com distintíssimas senhouras do Porto, ou apenas uma enumeração a esmo de divagações a respeito do matrimônio.

Grato,
Malaquias Passarolho

2 comentários:

  1. Tem Twitter, Passarôlho?

    ResponderExcluir
  2. caro anonimo,
    não possuo twitter. e vc, tens?

    post scriptum: é Passarolho, sem o acento circunflexo
    saudações!

    ResponderExcluir

O Pardal Imoral

O Pardal é pardal vivido, sofrido, calejado, e "impenetrável", como ele mesmo afirma. Pardal já era pardal quando boa parcela dos meninões ainda queria ser jogador de futebol, mas brincava de Barbie escondida no banheiro. O Pardal já hipnotizou peixes-bois com "sucesso parcial", como ele mesmo gosta de salientar; já comeu o próprio RG ante a mais das irremediáveis fomes; já fracassou hérculeamente ao tentar amamentar uma anão para angariar fundos para um excursão à Cabreúva e gosta de adjetivos feminos.

Por Guilherme Abati.






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