com um espirro, os céus borraram meu terno de azul e branco
e dentro do meu bolso, um punhado de feijões começou a chorar.
- todos sentem sua falta no mesmo instante-
ali onde estava, crianças gargalhavam doces agudos após romperem as portas de todas as casas iguais, de entediantes cozinhas brancas de casas vazias.
as mães, pelas janelas, gritavam reprovações, anunciavam punições, mesmo sendo completas mudas.
e dentro do meu bolso, meus feijões esqueceram o pranto e passaram a assobiar uma melodia libertadora.
- nesta hora pensei em me tornar um instalador de painéis solares -
ali onde estava, um par de expirações depois, um violino passou a repetir incessantemente suas tristezas e, ganhando os ares, subiu já azul, pronto para virar céu.
e ao fim da primeira curva um homem revelou, orgulhoso de sua orelha que caia sobre seus ombros, que eu deveria voltar para meu pote e virar açúcar.
com ele ao lado, virei uma primeira curva e o céu escureceu.
eu queria que chovesse, que transbordassem represas, que Arca alguma salvasse…
ele também.
eu queria que a noite engolisse a luz; queria ter mãos para sempre tatear o bréu inviolável
ele também
- éramos um boa dupla -
e foi aí qie Incontáveis grãos mergulharam nesta ampulheta sem fundo, e com a mente tentando equilibrar-se sobre meus desnivelados ombros em um débil e enojante balanço, corri para olhar o céu, esperando por nada ver
e nada vi…
e fechei os olhos durante uma expiração - uma notável, épica desistência - e pedi que sonhasse com tudo aquilo novamente

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