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Caguetinha Esparadrapo e o Assassinato no Péricles Cabelereiros


Caguetinha Esparadrapo, garoto levado mas vegetariano, desceu as escadas ensaboadas com Omo Dupla Ação escorregando de forma controlada e segura e quando tocou o solo limpo do segundo andar do Péricles Cabelereiros sorriu seus dentes tortos e salpicados de espinafre. 

À sua frente, viu dois hominídeos musculosos e familiares abrindo um saco de lixo e aquilo lhes prendia a atenção de tal forma que não notaram a presença explosiva de Caguetinha, que se encontrava um pouco excitado demais para às três da tarde de uma segunda-feira de Páscoa, dia em que os funcionários se dedicavam a limpar todo o estabelecimento. 

Cagueta falou ‘oi’ e somente dois responderam, sem olhar para ele, ‘oi’. Nínguém o encarou e isso magoou o Sr. Esparadrapo, filho do dono do comércio, Péricles Esparadrapo, porque ele queria chamar a atenção de Ramsés Ramalho e de Zênio Gênio, conhecido assim por ter decorado a tabuada do 9 antes de todos os cabeleireiros e pedicures do estabelecimento, localizado na Rua Tito há 43 anos.  

 Mas aquilo o magoou de verdade porque Tomeshida Fuzaka, japonesa especializada em unhas encravadas, o terceiro elemento presente ali no segundo andar naquela segunda-feira de faxina, não o olhou e nem o respondeu. E por isso Caguetinha Esparadrapo se aproximou dos homens e olhou para Fuzaka, que estava deitada de bruços no chão ensanguentado. ‘Caguetinha, temos certeza que você vai caguetar isso pro seu pai”, disse Zênio, mostrando ser indiscutivelmente um gênio. ‘Por isso teremos que enfiar você dentro desse saco de lixo, que está limpinho e que acabamos de abrir, e depois chutar seu corpo até ele ficar fatiado como uma garrafa espatifada. 

“Essa é a única saída, Zênio? Não há outro jeito, Ramalho?”, perguntou o jovem que agora se preparava para evacuar as recém ingeridas 150 gramas de espinafre e couve-flor. ‘Talvez haja. Mas no momento não estou disposta a pensar em possibilidades’, ponderou Ramsés Ramalho, nascido no Egito, 19 anos antes. ‘Então tá bom’, aceitou Caguetinha, mas não sem antes abaixar as calças e sujar todo o chão minuciosamente limpo e até então brilhante feito cristal.

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O Pardal Imoral

O Pardal é pardal vivido, sofrido, calejado, e "impenetrável", como ele mesmo afirma. Pardal já era pardal quando boa parcela dos meninões ainda queria ser jogador de futebol, mas brincava de Barbie escondida no banheiro. O Pardal já hipnotizou peixes-bois com "sucesso parcial", como ele mesmo gosta de salientar; já comeu o próprio RG ante a mais das irremediáveis fomes; já fracassou hérculeamente ao tentar amamentar uma anão para angariar fundos para um excursão à Cabreúva e gosta de adjetivos feminos.

Por Guilherme Abati.






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